quarta-feira, 14 de setembro de 2011

SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS Nº 5 O RADICALISMO DO PROFETA

SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS Nº 5
O RADICALISMO DO PROFETA
Por John Maclauchlan
Um profeta é inevitavelmente uma figura radical que ameaça a situação atual. O
institucionalismo pode produzir seus profetas, mas estes serão homens de sua própria
espécie, falando o que o sistema quer ouvir e dando uma aparência divina ao que é
essencialmente estéril ou perverso. Em contraste, homens enviados por Deus
permanecerão fora deste contexto, e suas palavras não apoiarão, mas desafiarão os
conceitos formados e os rituais estabelecidos.
Jeremias entrou em controvérsia com os profetas institucionalizados que falavam ao
povo o que este queria ouvir: que não seriam conquistados por Babilônia. Estes homens
sustentavam a ordem existente e apoiavam o que Deus havia rejeitado. Viam somente o
reino material, e profetizavam em correspondência a homens, não a Deus. Preocupados
com o reconhecimento e a posição, prostituíam o seu potencial de autoridade em favor do
benefício próprio. Em contraste, Jeremias declarava a palavra de julgamento de Deus, à
custa de sacrifício pessoal.
O propósito da profecia não é agradar os ouvidos dos homens. É a auto-expressão de
Deus: declara sua vontade e desejos; dá sua avaliação da situação. Ao fazer isto, ela é
diametralmente contrária à expressão da vontade e desejos do homem, pois estes entram
em choque com a vontade e desejos de Deus. Portanto, muitas vezes o profeta de Deus terá
de denunciar os profetas dos homens. Miquéias fez isso ao declarar que os falsos profetas
faziam errar o povo de Deus, não tinham nada de Deus e estavam na verdade em guerra
contra Deus! (Mq. 3:5-12).
DEPENDÊNCIA DE DEUS
O próprio profeta encarna o princípio de que o homem está designado para viver e
funcionar na dependência de Deus. Desta forma sua vida e suas palavras irão contra
qualquer tipo ou forma de independência. Independência por desejo e ambição,
independência de pensamentos e conceitos, independência de propósito e alvo, devem dar
lugar ao reconhecimento da supremacia e glória de Deus, submentendo-se a ele de todo
coração e vontade. Somente desta maneira o homem pode achar segurança e realização.
Portanto, há muita coisa que o profeta é enviado para destruir. Arrancar e derrubar,
destruir e demolir precedem o construir e o plantar (Jr 1:10). O coração do profeta é criativo,
não destrutivo, pois reflete o coração do seu Deus. Mas o mal deve ser destruído para que o
bem possa florescer, e o chão deve ser limpo dos entulhos para que um novo edifício possa
crescer com firmeza.
Séculos de conceitos e idéias falsos têm paralisado a Cristandade a ponto de total
inatividade, ou a tem desviado para a atividade errada. Séculos de estruturas religiosas
humanas têm levado o espírito do homem a tal servidão que ele está dentro de uma
masmorra de formas e rituais sem nenhum conhecimento verdadeiro do Deus vivo. O
profeta permanece em oposição frontal a toda essa escravidão, e declara liberdade aos
homens.

Quão facilmente aqueles que querem servir a Deus aceitam conceitos e idéias
tradicionais! Quão facilmente o inimigo tem conseguido semear conceitos falsos no solo fértil
desta receptividade! Seja onde for que o homem confie em alguma outra coisa além de Deis
para sua segurança, há perigo. Quando ele confia num credo ou sistema tradicionais ao
invés de confiar naquilo que Desta falando às igrejas, ele está exposto ao engano.
Também não é seguro abraçar o evangelicalismo como a ala da igreja que recusou
ser escravizada pela tradição: embora tenha rejeitado as formas exteriores e os rituais
religiosos do catolicismo, substituiu-os por um sistema de ortodoxia e prática religiosa
igualmente escravizador. E aquelas mesmas idéias gnósticas que começaram a envenenar
a corrente sangüínea da igreja nos seus primeiros dias estão encontrando uma pronta
aceitação no meio evangélico hoje.
DESTRUINDO FALSOS CONCEITOS
O profeta se oporá a todas essas idéias falsas, pois seu desejo é uma igreja sã e
unida, livre de interesses sectaristas. Ele atacará a consciência pecaminosa e impotente
daquilo que hoje leva o nome de Cristandade tão vigorosamente quanto seus colegas no
passado atacavam as religiões falsas que contaminavam a vida espiritual de Israel. A
mentira escraviza ao passo que a verdade liberta. Ouvindo a verdade o povo de Deus é
despertado para ver a prisão em que se encontra, e ao mesmo tempo ver a porta de escape
que permanece aberta. Os profetas de hoje, como nos dias de Moisés, conduzem o povo
para fora desta escravidão, destruindo todo obstáculo no nome do Senhor, e trazendo
julgamento àquilo que tem escravizado o povo de Deus.
A tendência do homem é organizar e solidificar tudo que ele toca. Sua insegurança
exige que tente estabelecer firmes pontos de referência para si mesmo. Por isso, ele
constrói instituições do que outrora era uma expressão flexível de vida. O Deus que declara
que “é o que é” recusa-se a ser preso ou limitado. E uma igreja que está designada a
encarnar e expressar Deus não pode ficar presa a uma forma ou padrão fixos.
De fato, se Deus “é o que é” devemos dizer da igreja que ela também “é o que ela é”,
ou melhor, que “ela é o que ele é”. Por perceber que o propósito e atividade de Deus são de
suprema importância, o profeta se oporá ao institucionalismo estático que o homem erigiu
para substituir a dependência viva em Deus.
A experiência do profeta é de um caminhar contínuo com Deus, uma experiência viva
com ele. Sua vida e palavras convidam e inspiram o povo de Deus a uma experiência
semelhante. Não lhes é permitido continuar na estrutura confortável e segura do formalismo,
previsível em todo o seu curso. Antes, devem ser chamados para sair desta segurança
aparente a fim de seguir o Deus que está falando, muitas vezes sem saber para onde vão.
Foi tal obediência de fé que justificou Abraão; é tal fé que ainda agradará a Deus hoje. O
propósito da igreja é ser auto-expressão de Deus, e ela deve Volver-se para onde quer que
ele dirija, e seguí-lo para onde quer que ele vá. O profeta vive desta maneira e comunica isto
à igreja.
Assim como ele ataca e destrói idéias erradas acerca do relacionamento com Deus,
da justiça, da natureza e do propósito da igreja, da mesma forma também o profeta buscará
minar e substituir concepções errôneas de profecia e escatologia. Por não ter uma
experiência viva com a voz de Deus, a igreja se tornou à base reprodutora de uma
superabundância de idéias humanas e demoníacas. Muitas dessas idéias efetivamente

minam o propósito de Deus e relegam seu procedimento com o homem à categoria de uma
seqüência rígida de acontecimentos futuros.
Porém, Deus é vivo e real! Está ativo e responsivo aos acontecimentos! Ele não é
uma máquina e nem um computador programado de um curso pré-estabelecido e fixo.
Portanto, ao destruir falsas idéias escatológicas o profeta libertará o povo de Deus de vários
becos sem saída, e ao mesmo tempo o levará ao indispensável conhecimento do Deus vivo
e à experiência viva com ele.
Temos falado muito do efeito destrutivo do ministério do profeta sobre tudo o que
assume o lugar de Deus ou se lhe opõe. Temos também procurado expressar por que ele
tem este papel, e alguns dos resultados positivos que ele espera ao assentar um bom
fundamento e construir num local bem preparado. Mas devemos também ter cautela contra
a aspereza humana no papel destrutivo do profeta. Alguns têm usado o disfarce de profeta
para justificar as expressões de amargura e ressentimento humanos, de vingança e
provocação.
EXPRESSANDO A VONTADE DE DEUS
Não importa nesse caso se o que eles atacam é realmente contrário ao coração e
vontade de Deus. Pois nunca é demais enfatizar o fato essencial de que o profeta é um meio
para expressar a palavra de Deus, e ela somente. Jesus exemplificou a voz destrutiva de
Deus em muitas ocasiões, mas nunca com algum motivo de interesse humano. Sempre
falava a palavra de Deus, e somente ela, e muitas vezes era com tristeza por aqueles de
quem ele falava.
Neste assunto todo, um princípio que o autor deste artigo aprendeu de Deus há uns
treze anos atrás, e que desde então tem procurado praticar, e corresponder ao Espírito de
Deus ao atacar e minar idéias e conceitos falsos que mantêm a igreja em escravidão, mas
normalmente abster-se de atacar a pessoa dos indivíduos que propõem tais idéias. Estes
permanecem, ou caem diante de seus próprios mestres.
Tem-se falado que Moisés entendeu os caminhos de Deus, enquanto que Israel como
um todo somente viu os atos de Deus. É parte principal da consciência profética apreciar
não somente o que Deus está fazendo, mas entender por que ele está fazendo aquilo, e ter
um senso de estratégia.
Ele sempre dirigirá a atenção para a raiz do problema, removendo os entulhos e
esforçando-se para estabelecer uma raiz sadia através da qual aquilo que Deus tenciona
realizar possa desenvolver-se. Nisto ele é realmente radical, pois um radical é uma raiz, e
ser radical implica em atingir a raiz do problema. Inevitavelmente neste ponte ele entra em
conflito com as instituições religiosas que por séculos têm acumulado tradições, e perdido de
vista as raízes das quais a Cristandade surgiu.
Mas não é somente renovando os conceitos da igreja que o profeta estará ativo. Ele
também expressará a vontade de Deus para seu povo em qualquer ponto determinado de
sua história. Ele trará direção, dando a perspectiva de Deus e exortando a igreja para
corresponder às circunstâncias e acontecimentos como o seu Senhor deseja. Ele explicará o
significado da situação atual. E delineará os passos imediatos e necessários, para a partir
daí adentrar ainda mais na vontade de Deus.
Esta expressão da vontade e palavra atuais de Deus será colocada no contexto de
uma declaração contínua do seu propósito geral. O profeta esclarecerá e profecia e a

escatologia ao povo de Deus. Ele não está interessado em sistemas e interpretações
literalistas baseados em lógica e dedução humanas. Ele vê na profecia a revelação do
coração de Deus (sua vontade e desejo) e de seus princípios (a base pela qual ele ordena e
age). Estas coisas ele vê por revelação e as expõe ao povo de Deus.
É necessário um profeta para interpretar um profeta, pois nenhuma profecia bíblica
pode ter interpretação particular. Assim como as profecias registradas não se originaram da
vontade humana, mas resultaram da inspiração do Espírito através de homens específicos,
assim também hoje a interpretação destas profecias depende de um dom e ministério
profético semelhantes (2 Pe 1:20,21). Assim como as declarações dos profetas devem ser
julgadas por outros profetas (1 Co 14:29), da mesma forma as palavras dos profetas devem
ser interpretadas pelos profetas.
DANDO UMA VISÃO DE DEUS
Neste contexto uma nova escatologia emerge. Não um sistema, nem uma estrutura
minuciosa de acontecimentos futuros, mas um conceito espiritual do alvo e desígnio de Deus
que atrai seu povo a consumação destes propósitos. Como escatologia bíblica, muitas vezes
ela será em visão e parábola, muitas vezes “codificada”, mas sempre inspirando visão e
coragem. É uma escatologia viva, não uma escatologia acadêmica. É espiritual e não literal.
É substancial por ter a realidade de Deus, não rígida como a assim chamada ortodoxia nem
restrita pelas limitações da lógica humana.É uma visão de Deus.
Tal escatologia é imediatamente incompatível com qualquer sistema formal e estático.
Inevitavelmente torna-se uma ameaça aos fornecedores de pacotes proféticos bem
elaborados cuja segurança depende da predição de um curso estabelecido de
acontecimentos futuros. No entanto, esta escatologia participa da essência do que é
verdadeiramente profético. Comunica Deus, não planos e acontecimentos. Enfatiza a
realização de seu propósito, a manifestação do seu reino, e dá espaço para aquele que “é o
que é” desenvolvê-lo como ele achar melhor.
Portanto, o profeta liberta os homens da dependência de auxílios e apoios exteriores
e os amarra em Deus. Ao fazer isto sua natureza essencialmente radical é mais plenamente
expressada, pois nisto se acha a raiz da sua existência. O homem se tornou independente;
Deus o chama de volta à rendição e à dependência.Ele chama através de seus profetas,
equipando-os para desfazer os emaranhados de indiferença e engano. Ele toca seus
corações e os inspira com a visão de si mesmo e de sua glória. Ele lhes mostra sua vontade
e propósito. Ele os dirige dia após dia para o alvo.

O PROFETA COMO VIDENTE
Por John Maclauchlan
O nome original para um profeta era “vidente”. Isto não é só de interesse histórico ou
acadêmico, mas envolve a natureza do ministério profético. Antes de fala, um profeta deve
ver. De fato, ele só pode falar o que vê. Ele não é um teórico teológico que negocia idéias
etéreas. Antes, vê o que é real e comunica sua visão a outros.
É óbvio que não estamos necessariamente nos referindo à visão literal. O que temos
em vista é mais uma faculdade espiritual de percepção, de consciência divina. O profeta
está consciente de coisas das quais outros homens não têm percepção alguma.Ele é
sensível a Deus e à dimensão espiritual de uma maneira que outros não são. Ele vê as
coisas da perspectiva de Deus e não do homem.
Antes e acima de tudo mais, ele vê a realidade invisível. Vê Deus e é movido por uma
profunda reverência e adoração. Vê o trono de Deus e experimenta um sentimento confiante
de vitória mesmo quando as coisas parecem muito erradas. Vê os céus e está consciente do
ministério dos anjos em favor dos santos de Deus.
Porque o profeta experimenta todas essas coisas, ele também as comunica. Não
simplesmente em palavras, mas pela sua presença, pois uma experiência rela sempre se
comunica num nível intuitivo. Em sua presença os homens percebem Deus. Porque seu
coração cheio de amor e reverência, os corações dos homens são atraídos a Deus em
adoração.
Quando aconselha, profetiza, exorta, ou ora, suas palavras atingem os corações dos
homens. Eles ouvem suas palavras porque percebem a realidade da fonte de onde fluem. O
que ele fala flui do que ele é.
O profeta vê situações como realmente são. Ele não depende de uma avaliação
natural das igrejas. Não vê somente a superestrutura, mas também o estado dos alicerces
por baixo. Percebe o nível da realidade de Deus que está presente. Está consciente de
falhas escondidas e problemas potenciais.
Quão embaraçoso é tudo isto para aqueles que agem somente dentro dos limites de
uma perspectiva humana! Tudo parece certo, próspero, eficiente, e sereno. Ms o que é
construído sobre um fundamento falso nunca alcançará os objetivos de Deus. Somente um
corpo que ouve e obedece à palavra de Deus vencerá. E um profeta de Deus conhecerá o
estado do fundamento. É melhor se desiludir agora, quando é possível reconstruir, do que
descobrir as falhas quando o prejuízo é irrecuperável.
ELE DISCERNE ATITUDES
O profeta vê os corações e atitudes interiores dos homens. Ele não é influenciado
pelo que aparentam ser, ou o que afirmam ser. Nem o que eles dizem ou que outros dizem
sobre eles o confunde. A forma como Deus os vê é que o impressiona. Ele se torna
consciente do que realmente se passa dentro deles.
Semelhantemente, ele sente o espírito que está por trás das palavras e ações. Seja
um dom espiritual, ou uma área criativa como música, literatura ou arte, o profeta é sensível

ao espírito originador. Nisto, ele não age meramente com raciocínio, mas ataca a raiz do
problema, sua fonte e origem.
Um dos maiores problemas enfrentados pelo conselheiro é que muitas vezes os
sintomas não são o verdadeiro problema. A dificuldade que existe na superfície, raramente é
a raiz do problema. No aconselhamento o maior objetivo é penetrar além da superfície e
descobrir o coração do problema. Porque experimenta a percepção de Deus, o profeta
descobrirá a verdadeira questão ao aconselhar.
ELE DESCOBRE FUNDAMENTOS
O mesmo princípio se aplica na direção das igrejas. Os sintomas superficiais são
inadequados para revelar os problemas reais. Desta forma é perigoso agir baseado neles. O
vidente vê mais profundo do que a superfície e além d o óbvio. É capaz de revelar e falar
sobre o cerne do problema.
Deus se deleita em comunicar sua vontade em figuras e símbolos. Assim sua palavra
é protegida contra o homem natural e o charlatão, mas se comunica ao sincero de coração.
Por isso o profeta é um vidente de visões e sonhos. Esses podem ser longos ou curtos e
podem variar muito em intensidade e vivacidade. Eles podem ser vistos por uma ou mais
pessoas simultaneamente. Recentemente, minha esposa e eu tivemos uma visão juntos que
ficou suspensa no espaço entre nós quando nos sentamos de frente um ao outro. Desta
forma o que ela viu à sua esquerda, eu vi à minha direita e vice-versa. Isto tornou evidente
parra nós que estávamos visualizando a mesma coisa, em todos os seus detalhes, de lados
opostos!
É importante notar aqui como as visões constituem um aspecto tão importante da
revelação de Deus ao profeta. No nosso caso são elementos proeminentes na orientação,
direção, e percepção recebidas em favor de indivíduos e também na abertura do próximo
passo para a igreja. Não posso enfatizar suficientemente o perigo de um tratamento
mecânico, sistemático, ou humano das visões. Não pode haver nenhum sistema fixo de
interpretação, nenhum código de símbolos correspondentes. Somente Deus pode interpretar
uma visão que ele dá. Somente Deus pode mostrar qual a sua aplicação e o que é
importante nela.
Deus não é restrito a uma “chave” derivada de símbolos bíblicos. De fato, uma visão
muitas vezes incorpora elementos contemporâneos que não estão presentes em nenhum
lugar na Bíblia. Deus muitas vezes comunica através de símbolos que têm um significado
específico para o vidente.
Visões podem demorar muito tempo, desenvolvendo-se juntamente com um
comentário continuado de sua interpretação. Ou talvez tenham que ser “guardadas” até
Deus revelar seu significado. Podem vir em várias partes que podem ser vistas por
diferentes pessoas. As partes podem ser vistas por diferentes pessoas. As partes podem ser
espaçadas por um período de minutos, horas, dias ou mesmo semanas. Muitas vezes uma
parte mais antiga pode ser entendida só à luz de uma parte mais recente.
O conteúdo das visões pode variar muito. Pode ser a sublime glória aliada à
simplicidade de um vislumbre do trono de Deus, que não exige nenhuma interpretação, mas
produz reverência extraordinária. Ou pode ser uma sucessão de símbolos que não teriam
sentido nenhum sem a revelação de Deus. Pode ser baseada em elementos de uma

experiência recente do vidente, ou pode envolver coisas das quais ele não está consciente
de ter pensado ou sonhado anteriormente.
O profeta vê o caminho a seguir para a igreja. Ele estará consciente do próximo
passo. E não dos próximos dez passos! A igreja não é uma entidade estática, antes está em
constante movimento e correspondência ao Deus vivo, e por isso precisa ouvir a voz de
Deus constantemente. Por perceber a resposta que Deus agora requer, o profeta transmite
esta direção à igreja.
ELE DISCERNE O FUTURO
A direção profética para igreja sempre virá um passo de cada vez. Deus reserva a si
mesmo a liberdade de ação, e realmente orienta de acordo com a situação atual. Podemos
esperar coerência na direção profética, sem muitas viravoltas repentinas. Mas a direção
global muitas vezes somente se tornará clara depois que se fizer um retrospecto.
Deus realmente requer de nós uma resposta em fé sem entendermos todas as razões
de suas ordens. Ele realmente muda seus plano de acordo com as circunstâncias. Que ele
nos liberte de avaliações e realizações humanas. No final das contas, tudo isto será
insuficiente para alcançar o objetivo.
Embora ele esteja contente por ver um passo de cada vez e prosseguir em simples
obediência, o profeta vê o alvo que Deus tem em vista. Vê a soberania de Jesus
manifestada sobre toda a terra. Esta percepção é que leva o profeta e a igreja a
prosseguirem durante todas provações e sofrimentos do tempo presente.
Ele anela pelo resultado final e a igreja sente seu anseio e anela junto com ele. Sua
consciência se torna a consciência deles, seu desejo o desejo deles. Ele pode muitas vezes
pintar um quadro vívido de como será o governo de Deus. Pode desenvolvê-lo bem
detalhadamente, pois seus olhos estão fixos na tela das intenções de Deus. Mas nunca se
torna etéreo e sem conexão com o presente.
A obra deve prosseguir. A casa de Deus deve ser construída. Não haverá
consumação sem um povo responsivo movendo-se em obediência firme e resoluta em
Deus. Para este fim o profeta labuta diariamente. Mas em todo o seu labor e o daqueles que
foram atraídos a acompanhá-lo, seu papel de vidente é central.
Ele vê, e portanto, adora. Vê, e portanto, fala. Vê e portanto, trabalha.

O QUE É VISÃO?
Por Graham Perrins
Visão é muitas vezes descrita como aquilo que edifica, inspira e libera. Ela amplia
nosso horizonte capacitando-nos a ver o que é nossa herança. Mas há outros aspectos da
visa. O autor de Provérbios dá um ponto de vista quase contrário em sua famosa citação:
“Não havendo visão o povo se corrompe” (Pv 29:18, versão inglesa). Este versículo
importante é traduzido numa outra versão como: “Não tendo visão o povo rejeita disciplina”.
E na Bíblia de Jerusalém é traduzido como: “Quando não há visão, o povo não tem freio”.
Visão neste caso é necessária para trazer restrição, disciplina e controle. Como um cavalo
selvagem precisa de freio povo de Deus precisa de visão. Como uma criança desobediente
precisa de disciplina assim o filho de Deus precisa de visão para mantê-lo em controle e
provê-lo como diretrizes necessárias. Portanto, a visão pode ser restringente. Pode nos
impedir de ultrapassar os limites dados por Deus. Pode nos libertar de nós mesmos.
Quando Samuel começou sua carreira as visões não eram freqüentes. Este fato é
realçado pelo resumo da vida daqueles dias como: Não havia rei em Israel: cada qual fazia o
que achava mais reto”(Jz 17:6). Sem visão não havia restrição. O homem era como um rio
numa enchente inundando suas ribanceiras. A nação era como uma represa com barragens
quebradas. Então a voz profética foi ouvida. Samuel trouxe a visão de volta. O governo de
Deus foi estabelecido em Israel. Precisamos de visão hoje não somente para nos libertar,
mas para estabelecer as prioridades de Deus em nossas vidas, para fixar nossas limitações,
para mostrar nossas fronteiras, para estabelecer o reino de Deus.
A essência da visão é a palavra de Deus. A citação de Provérbios é raramente citada
na íntegra. Deve se ler: “Não havendo visão o povo se corrompe, mas o que guarda a lei é
feliz”. Aquela palavra viva dada no Monte Sinai foi designada para guiar, instruir e discipular
o povo de Deus a Cristo, a palavra viva.
Foi assim com Samuel. A palavra viva era o centro da visão. “Naqueles dias a palavra
do Senhor era mui rara, as visões não eram freqüentes” (I Sm 3:1). Mais tarde quando
Samuel aprendeu a ouvir e identificar a voz de Deus, as circunstâncias mudaram. “Crescia
Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra.
Todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como
profeta do Senhor. Continuou o Senhor a aparecer em Silo,enquanto por sua palavra se
manifestava ali a Samuel” (I Sm 3:19-21). Samuel trouxe esta palavra viva para Davi e este
soube que estava para ser rei. Essa palavra dirigiu a vida de Davi para que ele se tornasse
um homem segundo o coração de Deus, um homem de visão. Não somente o inspirou, mas
também o restringiu, disciplinando-º Saul geralmente fazia o que era reto aos seus próprios
olhos. Davi vivia coagido. Ele se recusou a matar Saul para obter seu reino antes do tempo.
Quando seus valentes lhe trouxeram um cantil de água do poço de Belém, Davi valorizou
mais o amor e devoção deles do que seu próprio desejo e derramou a água como uma
oferenda a Deus.
Como rei ele foi misericordioso e não se vingou de seus inimigos. Tirando o incidente
com Urias, houve uma evidente falta de interesse próprio e auto-justificação na vida de Davi.
Esses incidentes têm me desafiado e encorajado em algumas dificuldades recentes. A visão
de que Deus está falando e fazendo pode nos libertar de autofavorecimento e proteger-nos
de cuidar de nossa própria vida.

A palavra viva, então, vem para produzir visão que por sua vez nos introduz na
vontade de Deus. Substitui o que é certo aos nossos próprios olhos pelo que é certo aos
olhos de Deus. O Espírito de Deus está se movendo poderosamente hoje não para
satisfazer desejos e ambições pessoais, mas para nos levar ao domínio do governo de
Deus, para nos introduzir no seu reino. A restrição disciplinadora da visão pode nos
introduzir na plenitude de nossa herança.
Este livreto foi traduzido de uma série de artigos publicados originalmente nos números 3 e 9
da revista “Proclaim”.
Os direitos autorais pertencem a:
Andrew McFarlane,
113 Springwood
Llandeyrn, Cardiff CF2 6UE

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fome por Deus, de John Piper

Fome por Deus, de John Piper

O livro que chegou no Brasil em 2006, não é uma obra muito fácil de ser encontrada nas livrarias. Mas se for achada, a melhor opção, sem dúvida, é adquirí-la. Traduzido e publicado pela editora Cultura Cristã, “Fome por Deus”, de John Piper, é um livro sobre jejum. E pode-se dizer, certamente, que sua mensagem diverge da maioria das literaturas sobre o tema.

Sem nenhum método para prática da abstinência ou teorias comuns sobre o assunto, Piper traz uma abordagem revolucionária (e bíblica) do verdadeiro sentido do jejum. Para os que, até hoje, não entendem muito bem o motivo e necessidade de jejuar, ou até para aqueles que jejuam apenas para “libertação dos desejos da carne”, o livro é como água no deserto, ou melhor, um prato cheio para quem está com fome.

Não sei se você já se deu conta, mas boa parte das religiões praticam o jejum, o que não caracteriza o jejum como uma exclusividade cristã. No livro, Piper mostra que esta prática é comum, inclusive em casos políticos e de protesto.
Então, o que diferenciaria o jejum cristão de todos os outros?

Ainda na base de glorificar a Deus (ênfase constante do autor em seus livros e pregações), Piper alega que o verdadeiro jejum cristão é aquele que anseia pela volta de Jesus, onde aqueles que o praticam o fazem sentido falta do Noivo – Jejum é uma expressão física do desejo ardente do coração pela volta do Rei – frase do autor.

Baseado em Mateus 9:15 – Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o Noivo, e nesses dias hão de jejuar – Piper argumenta que o próprio Jesus falou que seus discípulos jejuariam em protesto pela sua ausência física na Terra. E ainda fala sobre a necessidade de sentir tanto a presença como a ausência de Cristo, e de como a Sua volta é a base do cristianismo e de suas práticas, incluindo o jejum. Jesus espera que os seus amigos sintam a sua falta.

O autor não deixa de falar sobre a legitimidade do jejum como forma de protesto e disciplina espiritual para submissão da carne e da alma, mas enfatiza que o verdadeiro foco do cristão deve ser seu ânseio por Jesus e, principalmente pela sua Volta.

Usando o exemplo do povo de Israel, que foi provado por Deus ao receber o maná (a abundância) e passar fome no deserto (a escassez), Piper ilustra a obra que é cheia de explicações doutrinárias e esclarecimentos sobre falsos pensamentos a cerca do jejum. Os últimos capítulos são dedicados à questão do aborto e dos pobres – uma excelente visão aplicável para os praticantes da espiritualidade.

A obra que é essencial para todo cristão que está buscando uma vida genuína, nos leva a conclusão de que muitos de nós andamos comendo na mesa do mundo e acabamos sendo impedidos de sentir a verdadeira fome – a fome por Deus.

FOME POR DEUS
John Piper
Editora Cultura Cristã, 2006
240 páginas em Brochura

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

ONG faz protesto contra o tráfico na Vila Kennedy, no Rio de Janeiro

A praia de Copacabana e o aterro do Flamengo, no Rio, amanheceram com faixas de pedido de segurança. É o movimento da ONG Rio de Paz pela comunidade em defesa dos moradores da Vila Kennedy. Eles dizem que não aguentam mais viver no meio da guerra do tráfico. Os tiroteios entre traficantes de facções criminosas rivais aumentaram nos últimos quatro meses e tem levado pânico às ruas do bairro.g1.com.br

SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS Nº 4


SÉRIE PROFETAS E PROFECIAS Nº 4
A PALAVRA PROFÉTICA
John Maclauchlan
Se temos assimilado alguma coisa da natureza da palavra de Deus, não nos
surpreenderemos em saber que há um vínculo indissolúvel entre essa palavra e a igreja. Ela
é a vontade de Deus expressa ao homem, procurando se encarnar no homem. A palavra de
Deus traz à existência um povo, do qual se pode dizer que se torna a sua palavra
encarnada, pois foi criado na mesma imagem daquele que é singularmente a Palavra de
Deus. A palavra de Deus torna-se a igreja, e a igreja não é igreja sem essa palavra.
Quando Paulo chama os tessalonicenses a orar “para que a palavra do Senhor se
propague e seja glorificada”, ele não está pensando na proliferação de idéias. Antes, está
ciente que aqueles a quem está escrevendo são o resultado visível dessa palavra. É a
palavra encarnada; é sua expressão concreta. Ele lhes falou a palavra diretiva e construtiva
de Deus e foram moldados num povo para Deus. Isto aconteceu inacreditavelmente rápido
em Tessalônica. Paulo agora exorta aqueles que experimentaram esse resultado rápido da
palavra de Deus a orar por triunfo semelhante e resultados imediatos em outros lugares.
Claramente, par Paulo, a igreja se origina da palavra de Deus. Se a palavra é a autoexpressão
de Deus, a igreja também o é. Através dela ele fala aos homens. A mesma
ligação é evidente em outros lugares. Lemos em Atos 9:31 “A igreja, na verdade, tinha paz
por toda a Judéia, Galiléia,e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor e, no
conforto do Espírito Santo, crescia em número”. Compare isto com Atos 6:7 “Crescia a
palavra de Deus e... multiplicava-se o número dos discípulos...”.
A PALAVRA E A IGREJA SÃO UMA
Em outro lugar, é simplesmente: “... a palavra de Deus crescia e se multiplicava” (At
12:24), e ainda em outro: “... a palavra de Deus crescia e prevalecia...” (At 19:20). O
crescimento da igreja é atribuído à palavra. Além disto, é identificado com o crescimento da
palavra. A palavra e a igreja são uma. Lemos nestas passagens sobre o desenvolvimento e
crescimento da auto-expressão de Deus na terra. Mais e mais, ele tem um povo em quem
pode viver e através de quem pode revelar como ele é.
A implicação é clara. A igreja é totalmente dependente da palavra profética. Sem esta
palavra, ela cessa de ser a igreja do Deus vivo. Separar a palavra da igreja é o mesmo que
retirar o espírito do homem: resta apenas um cadáver.
O ápice da auto-expressão de Deus é Jesus. Ele encarnou e revelou perfeitamente
tudo que Deus é. Nele o Deus invisível é visto pelos homens. Mas Paulo chama a igreja
“corpo” de Jesus, que equivale a chamá-la sua auto-expressão. Vai mais além e a descreve
como a “plenitude” de Jesus, um termo usado no grego para o carregamento de um navio,
ou conteúdo total de uma embarcação. A igreja contém, encarna, é plena de Cristo.
Nisto tudo, Paulo não está se referindo aos dias passados quando Jesus andou na
terra em um corpo mortal. Antes, descreve-os exaltado e supremo sobre todos os seus
inimigos, enchendo o universo como sua grandeza. A igreja é a encarnação e expressão na

terra do Reis dos reis. É a “plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef
1:23).
Jesus é a Palavra de Deus. A igreja o encarna e expressa. A Palavra triunfante de
Deus, exaltada e glorificada, vive em seu povo. Este povo não é chamado à existência par
exemplificar uma cópia religiosa de Cristo. São criados como aqueles em quem ele vive. São
seus filhos e filhas. São as expressões de Deus na terra.
NÃO EXISTE UMA “PLANTA” PARA A IGREJA
Deus se recusa a ser limitado pelo homem. Não será restringido pelas limitações de
conhecimento ou teologia humanos. Reserva a si mesmo a liberdade pessoal que é legítima
somente para quem é supremo. Questionado sobre sua própria definição, responde: “Eu sou
o que sou”.
Conclui-se que um povo designado a expressá-lo não pode ser limitado a uma forma
preestabelecida ou desenvolver-se segundo as linhas de uma planta predeterminada. Não
pode haver um “padrão” para a igreja. Um corpo estruturado de acordo com algum padrão
ou restrito àquilo que surgiu da assim chamada ortodoxia histórica, será meramente uma
instituição religiosa humana. Não importa como os homens queiram chamá-la, não pode ser
a igreja do Deus vivo.
O conceito de igreja como instituição que se autoperpetua é horripilante. Capaz em si
mesma de se manter e existir como organização, mas destituída da presença de Deus.
Torna-se inimiga de todos os propósitos de Deus. Torna-se cadáver mencionado acima, um
corpo do qual o fôlego se foi. Mas o absurdo deste é instituído pelo horror, pois este cadáver
ainda anda, locomove-se, e fala. Ilude os homens a pensar que ainda representa Deus. Na
verdade, grotescamente deturpa a sua imagem.
A BLASFÊMIA DO INSTITUCIONALISMO
O institucionalismo desta forma se torna uma blasfêmia, e homens como corações
dedicados a Deus se afastam dele com horror. O que, então, podemos dizer da igreja?
Somente isto, que como auto-expressão de Deus “ela é o que é”. Ou, talvez melhor, “é o que
Deus é“. A igreja é totalmente vinculada a Deus. Sem o seu fôlego, morre. É quando Deus
fala que a igreja toma sua forma e semelhança. É pela palavra de Deus que ela se torna o
que ele é. E isto é um processo contínuo: Deus falando e a igreja ouvindo e
correspondendo. É somente dessa maneira que a igreja pode ser o que Deus quer que ela
seja, e cumprir sua vontade na terra.
Jesus concede temível autoridade à igreja. A partir da sua ênfase no direito e dever
da igreja de tratar com o pecado no seu meio, ele mostra que a igreja tem todo poder no céu
e na terra. Para exercer tal poder, ela precisa somente “concordar” e “pedir”. E pode ser até
com dois crentes que se unam desta maneira. Mas a base crucial de tudo isto é ter dois ou
três que reúnem em Jesus. A ênfase está em Deus reunir seu povo, e o propósito de tal
reunião é entrar na pessoa de Jesus.
Somente este chamamento e mover divinos trarão a promessa de Jesus estar no
nosso meio. E como vimos, tal ação divina inevitavelmente relaciona-se com a sua palavra.
É quando ele fala que vemos Jesus. É através de sua voz que somos chamados. É através
de sua palavra que somos comissionados e atraídos à experiência de seu Filho. É em

relacionamento vivo com Jesus que temos sua autoridade e podemos ligar e desligar. A
igreja existe para entrar em Jesus, e isso acontece pela palavra viva procedente de Deus.
Muitas vezes se tem dito que a igreja não é um prédio, mas são as pessoas. Sugiro
que esta declaração seja verdadeira, porém inadequada. Verdadeira, porque tira nossa
atenção dos tijolos e argamassa, e a dirige para a verdadeira casa de Deus, constituída de
homens e mulheres. Mas inadequada, porque podemos ver a igreja como pessoa e mesmo
assim ter uma instituição. Talvez devam se reunir de uma maneira específica. Talvez devam
ter um tipo específico de estrutura ou liderança.
Se esta é a nossa visão da igreja, podemos dizer o quanto quisermos que ela
consiste de pessoas e não de prédios, mas ainda temos um conceito institucional. Nossa
visão é sectarista; divide-se na base de aderência a um conjunto específico de credos e
ações. Alguns tentam responder à questão acima com uma definição geral como esta: “a
igreja consiste de todos os regenerados”, mas geralmente acabam em divisões sectaristas
da mesma forma.
Não pode ser assim, devemos ver a igreja como um povo em correspondência ativa e
atual ao Deus vivo. Ela está sempre ligada a um propósito, não a credos fixos ou formas
predeterminadas ou ações prescritas. É a prática que é importante, não a teoria. Somente
através de ouvir e praticar o que Deus está dizendo é que um povo pode representar seu
nome. Tal povo é totalmente vinculado a Deus, sem segurança humana nem religiosa.
Vivem pelo que ele diz: morreriam sem isto. Não têm uma estrutura inflexível ou que se
autoperpetua. Podem ser descritos como um povo profético, pois são completamente
dependentes da palavra profética de Deus.
A NATUREZA DA PALAVRA
Em Efésios 6:17 “espada” e “espírito” se identificam, e “espírito” é definido como
“palavra de Deus”. Semelhante a esta passagem é Isaías 11:4 na Septuaginta, que liga “a
palavra da boca” com “o sopro de seus lábios”, enquanto que no hebraico a frase anterior é
“a vara da sua boca”. Desta forma vários termos se identificam. A palavra pode ser descrita
como espada, referindo-se ao seu poder cortante e penetrante, e à sua (Jo 6:63), referindose
à sua verdadeira natureza e também ao seu efeito, mostrando côo deve ser recebida pela
fé.
Do mesmo modo, a palavra pode ser descrita como sopro, mostrando que ela é
vivificante e é a expressão de Deus. Pode se chamar vara, referindo-se à sua autoridade e
poder para disciplinar e governar. A tudo isto podemos acrescentar a frase que o Senhor
Jesus destruirá o iníquo com o espírito, ou sopro, da sua boca.
É instrutivo comparar estas várias descrições da “palavra” com aquela do povo de
Deus em Isaías 49:1-3. É Israel, povo de Deus, que é descrito como “chamado” e
“nomeado”. O povo de Deus tem uma boca como uma espada aguda; são uma flecha
polida. Assim como Jesus é visto com uma espada aguda de dois gumes procedente de sua
boca e é chamado a Palavra de Deus, da mesma forma o povo de Deus segura e maneja
esta espada. Esta espada, intimamente ligada à palavra de Deus, é usada por eles para
governar e julgar as nações (Sl 149:5-9). Isto é uma honra para todos os seus santos.
Devemos ser um povo de palavra de Deus, experimentando sua natureza, incisão,
poder, autoridade, efeito, e vida. Desta maneira, podemos manifestar e expressar a palavra
de Deus ao mundo, e finalmente estar preparados para governá-lo. Não há outra forma de

governá-lo. Sabedoria e experiência humana cristã. O mundo pertence a Deus e ele anseia
por expressar-se a si mesmo e a sua vontade para com ele. Isto ele fará de Sião, seu lugar
de habitação. Toda a terra se calará diante de Deus através de seu povo. Deste contexto
falará à sua criação (Zc 2:10-13).
A PALAVRA PROFÉTICA
John Maclauchlan
Falando, Deus se declara. Revela sua vontade, e exerce seu poder para realizar esta
vontade. Sua palavra é acontecimento e toma forma e semelhança concretas na terra. Sua
palavra é sua auto-expressão, e podemos seguramente assumir que Deus se expressará
plenamente me tudo o que criou.
Deus não abandonou sua criação. Não deixou o homem entregue a seus próprios
alvos egoístas. Não o entregou à autodestruição. Entregando seu filho, a preço de morte,
Deus redimiu o Homem e preservou seu propósito par ele. Colocou o homem na terra para
se tornar uma encarnação e expressão de Deus. Deus agora fala ao homem redimido parar
realizar seu propósito. Fez o homem para reinar e agora está comunicando sua própria
autoridade aos verdadeiramente submissos para que os mansos herdem a terra.
A palavra profética é relevante e atual. Traz discernimento dos acontecimentos atuais
e revela o propósito de Deus em relação a eles. Dirige o povo de Deus para que saiba como
viver. Mostra à igreja que tipo e forma deve tomar a fim de ser a encarnação do Deus que “é
o que é”. Mas também dá uma perspectiva histórica. Mostra-nos uma visão ampla da
atividade de Deus e comunica um senso de participação no propósito divino. Dá-nos um
senso de destino.
Não cabe à palavra profética predizer o futuro. Clarividência e profecia não têm nada
em comum. A verdadeira palavra profética sempre conservará a integridade do tempo, pois
sempre move-se dentro da integridade de Deus. Deus realmente dá alternativas ao homem.
Realmente lhe expressa seus desejos. Realmente adapta seu plano de acordo com o rumo
das circunstâncias. Ele não apenas prediz; declara suas intenções.
De fato, por ele ter a capacidade de compreender tantas coisas ao mesmo tempo e
entender toda a miríade de fatores envolvidos num assunto, ele pode, como precisão,
projetar o curso futuro dos acontecimentos – mesmo diante de muitas coisas variáveis.
Neste sentido muitas vezes revela ao seu povôo que há de vir. Mas acima e além disto,
comunica sua vontade ao homem. Declara sua intenção e fala criativamente para trazê-lo à
luz.
VISÃO, NÃO CLARIVIDÊNCIA
Deus concebe dentro de si mesmo o objetivo pelo qual está trabalhando. É esta
concepção, esta visão divina, que ele revela aos seus profetas. Alguns hermeneutas têm
confundido esta visão com um vislumbre de um futuro predeterminado. Mas o futuro ainda
não aconteceu. O tempo é real, não é uma ilusão. Os profetas durante os milênios viram a
intenção de Deus, comunicada a eles por meio de palavras, símbolos e visões.
Em correspondência a Deus, seu povo é chamado a entrar na sua visão. Somos
chamados a nos apresentar em espírito diante de seu trono. Não somos mantidos à

distância pelo medo, como Israel no Sinai, mas somos transportados ao cume de Sião.
Desta forma vemos a consumação, pois somos inundados pela fé e visão do próprio Deus.
Desta forma há perfeição; desta forma há governo total; desta forma há ordem; desta forma
há plena formosura. Desta forma, perto do próprio Deus, somos elevados acima do pecado,
confusão e fracasso. A imperfeição é ofuscada pela sua glória. Desta forma vemos a
perfeição que a obra de Jesus produz em nós.
Porque ele nos tem trazido à sua presença para perceber o sue propósito, é mais que
imperativo ouvirmos o que ele está dizendo agora. Está falando para destruir todo pecado e
imperfeição e para estabelecer seu reino inabalável em toda sua glória na terra. A perfeição
que é Deus encherá sua criação. Nós, que vemos o homem consumado nele que podemos
nos submeter à obra de Deus que destrói toda nossa limitação. É porque o Cristo glorificado
e ressurreto se identifica tão de perto conosco para nos ajudar que podemos subir com ele
para a verdadeira glória do homem.
Pela sua palavra Deus se declara. Portanto, expressa o que está nele, inclusive seus
alvos e objetivos. E são declarados como realidade, pois realmente existem em Deus. Ele
confia totalmente no seu poder para trazê-lo à luz. Um povo profético precisa compartilhar
esta confiança. Porque vemos a glória de Deus e nos maravilhamos com seu poder, cremos
nos seus objetivos. Compartilhamos sua visão e a declaramos, sabendo que ele é o Deus
todo poderoso e a cumprirá.
João viu a glória de Jesus. Certamente sentiu júbilo e alegria incríveis. Mas
imediatamente depois disto, viu as falhas das igrejas (Ap 2, 3). Viu em alguns detalhes as
muitas maneiras pelas quais não alcançaram a glória de Cristo. Seu júbilo se transformou
em tristeza, pois não estava a igreja designada a ser a expressão plena de Cristo na terra?
A resposta de Deus foi levá-lo aos céus (Ap 4).
Lá ele vê o trono de Deus e Deus neste trono. Lá na presença de Deus, uma fé
renovada inunda sua alma. Porque vê o reino de Deus, pode ver também a igreja glorificada
governando. De fato, pode ver toda a criação prostrada diante do trono de Deus. Vê a igreja
se regozijar no cumprimento de sua missão, confessando que toda glória pertence a Deus.
Então, Deus nos mostra sus propósito e mostra-nos seu poder. Desta maneira,
habilita-nos a prosseguir em fé, conhecendo que em espírito temos a substância e evidência
do que deve acontecer (Hb 11:1). Podemos entrar de todo coração na obra, pois a obra é de
Deus. Conhecemos o próprio Deus, e temos toda “substância” e “evidência” nele. Confiamos
que pela sua graça e poder veremos os céus descendo para a terra.
NÃO UM FUTURO PREDETERMINADO
Há muitos imprevistos possíveis nos eventos que envolvem a realização da vontade
de Deus. Não é um caso de descobrir o curso preestabelecido dos acontecimentos, pois o
futuro não é predeterminado. Um futuro predeterminado minaria a integridade moral de
Deus, pois o homem não seria legitimamente responsável por suas ações. Conhecer a Deus
é que torna a vida uma aventura empolgante. Dia após dia ele nos dá o discernimento da
sua vontade. Dia após dia dirige-nos. Por isso, diariamente ele forma o futuro à medida que
seu povo lhe corresponde. Ele fala e acontece. Algo sucede e se encarna naqueles que
ouvem sua voz. O ser humano se aproxima mais de Deus. A igreja é preparada para
governar e reinar.

Com tudo mais, o século vindouro está em Deus. É o seu propósito; é a sua criação.
Então, à medida que nos aproximamos de Deus, experimentamos agora o poder do século
vindouro (Hb 6:5). Vivemos agora como aqueles que usufruem o governo de Jesus, um
governo que temos certeza será estabelecido sobre todos os homens.
O próprio Jesus demonstrou esta atitude de viver no cumprimento do século vindouro.
Onde quer que ia, declarava que o reino de Deus estava próximo. Muitas vezes falou e
assim foi. O reino chegou, a consumação foi liberada. “Seja curado... seja limpo... seja
abençoado...” Jesus identificou palavras e obras (Jo 14:10), pois suas palavras eram
acontecimento. Introduziram Deus na vida das pessoas; introduziram o século vindouro no
presente.
Ver Deus é ver tudo que é possível nele. É crer numa solução plena e final para todo
o problema. É ver o homem redimido e restaurado como representante de Deus. É ver o
universo liberto. Ver tudo isto é acelerar seu cumprimento tangível. Os discípulos que viram
Jesus na transfiguração conseqüentemente declararam seu “poder e vinda”. O que viram
confirmou a palavra profética que declarou a consumação. O que viram capacitou-os a falar
aquela palavra a outros. A palavra capacitou os discípulos e aqueles que os ouviram a viver
e prosseguir dia após dia. Atraíram-nos para o alvo (2 Pe 1:16-18).
Está claro nos relatos da transfiguração que seu significado seria mal compreendido
pelos que a assistiram se Deus não tivesse falado. Semelhantemente, Pedro exorta contra a
interpretação humana da profecia. Não é um casão de interpretação particular. O mesmo
Espírito Santo que inspirou os profetas a falar dever interpretar o que eles disseram. Porque
a consumação é o desejo do coração de Deus, ele precisa comunicar este desejo a nós
hoje. Não poder ser aprendida sistematicamente nem entendida logicamente (2 Pe 1:19-20).
O coração de Deus se revela pela palavra profética. Uma revelação e percepção de
Deus em sua glória e poder dever ser acompanhada pela sua palavra que expõe seu
significado a nós. Deus se revela para nos incentivar a prosseguir. Manifesta-nos sua glória
para repartir sua presença conosco. Revela seus anseios a nós para que possam se tornar
nossos anseios. Convida-nos a compartilhar com ele a realização de seus objetivos.
ACONTECIMENTO NÃO INFORMAÇÃO
Sua palavra, como sempre, é espírito, vida, e acontecimento. Não é informação. A
palavra de Deus não provê diretrizes à ação; ela nos muda, transforma e impulsiona para
entrar em ação. A palavra de consumação introduz a perfeição dentro de nós. Transcende a
toda desordem terrena, toda decadência humana. Leva-nos até Deus para que vejamos seu
governo. Dirige nossas ações na confiança tranqüila que Deus é o Senhor de tudo.
Capacita-nos a reconhecer agora o que todos os homens verão depois. Torna-nos pioneiros
que vêem o governo efetivo de Deus nem nossas vidas.
É pelo ouvir a palavra profética que nos tornamos vencedores. Se estamos ouvindo e
obedecendo ao que o Espírito está dizendo às igrejas, venceremos (Ap 2:7,11,17; 3:21,22).
A palavra profética pode nos capacitar a ver o que está errado. Pode nos conceder desejo e
força para ser livres de limitação e decadência. Pode nos aprumar como servos de Deus.
Pela sua palavra Deus pode nos libertar de todas as falhas das sete igrejas e levar-nos aos
lugares celestiais para vê-lo no seu torno. Ao falar-nos, Deus pode nos levar por cada fase
do desenvolvimento do seu propósito.

É tempo de a igreja parar de brincar com profecias. Que Deus nos livre dos
fornecedores profissionais de interpretações e também dos especuladores amadores. Não
há um curso fixo de acontecimentos futuros a ser descoberto por um assalto intelectual às
escrituras. Tal pensamento é uma desilusão incentivada por aqueles que buscam segurança
em seu próprio entendimento e temem a aventura da vida.
Mas há um futuro. Graças a Deus por isso! E há um alvo. Ao permitir o Deus vivo nos
revelar seus objetivos vivos, iremos vê-los com esperança e fé, e não com mera curiosidade.
Nosso instinto por autopreservação, nossa exigência por segurança pessoal, cederão ao
desejo de que os desígnios de Deus sejam realizados. Assim nos tornaremos mais
dependentes de Deus, e buscaremos somente fazer sua vontade.
Nesta dependência Deus nos falará. Nosso clamor por sua direção, nossa insistência
de que sem ela pereceríamos, produzirão os profetas da igreja. A igreja novamente ouvirá a
palavra profética com clareza. A magnificência de Deus, sua majestade, será manifesta.
Pela sua presença e pela sua palavra ele nos transformará.
Falando a nós ele nos constituirá como sua comunidade na terra. Dirigindo nossas
ações nos mostrará o que fazer para preparar seu caminho. Através da palavra profética,
estabelecerá em nós toda sua vontade para o homem. E a palavra profética produzira a
consumação de todas as coisas em nós.